Muito presente nas Olimpíadas e nos campeonatos de futebol, o Hino Nacional Italiano é um elemento importantíssimo da cultura e história da Itália. Neste post, você conhecerá a letra e o significado de cada frase desse símbolo italiano.
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História do Hino Nacional Italiano
O Hino Nacional Italiano foi escrito em 10 de setembro de 1847 por Goffredo Mameli e musicado por Michele Novaro em 24 de novembro do mesmo ano. Se chama Il Canto degli Italiani (O Canto dos Italianos), mas também é conhecido como Inno di Mameli (Hino de Mameli), em homenagem ao seu escritor, Fratelli d’Italia (Irmãos da Itália), que é o primeiro verso do hino, Inno d’Italia (Hino da Itália) e Canto Nazionale (Canto Nacional).
Ele foi escrito antes da unificação da Itália, que viria a ocorrer somente em 1861. Esse contexto histórico é importante para o entendimento de algumas partes do Hino Nacional Italiano.
Além do aspecto nacionalista presente nas décadas anteriores à unificação da Itália, o Hino Nacional Italiano também traz elementos que fazem referência à história do país desde o Império Romano.
Interpretação do hino
Devido à simbologia, à linguagem do século XIX e às licenças poéticas, uma tradução literal do Hino Nacional Italiano para o português seria inviável, então cada trecho conterá breves comentários sobre seu significado simbólico.
O Canto dos Italianos pode ser dividido em três partes:
- Uma introdução, convocando os italianos à defesa da pátria;
- A esperança pela unificação do país;
- História das batalhas que os italianos travaram no decorrer dos séculos.
Introdução
Fratelli d’Italia
L’Italia s’è desta
Irmãos da Itália (irmãos italianos), a Itália acordou.
Dell’elmo di Scipio
S’è cinta la testa
Scipio se refere a Publius Cornelius Scipio Africanus (Scipione l’Africano), um general romano que, em 202 a.C., derrotou o cartaginês Aníbal na batalha de Zama, onde hoje é a Argélia, durante a Segunda Guerra Púnica.
Esses dois versos, portanto, indicam que a Itália colocou na cabeça (s’è cinta la testa) o elmo de Scipio, ou seja, a Itália está pronta para a batalha.
Dov’è la Vittoria?
Vittoria, com “V” maiúsculo, se refere à deusa Vitória na mitologia romana, que teria se revelado durante a Primeira Guerra Púnica.
Este verso do hino pergunta: “Onde está a Vitória?”
Le porga la chioma
Che schiava di Roma
Iddio la creò
Estes três versos fazem referência à tradição romana de cortar os cabelos das escravas para indicar a submissão a Roma.
Iddio é uma variação de Dio (Deus). Então, tendo Deus criado a Vitória como escrava de Roma, sua cabeleira (chioma) deveria ser apresentada como sinal de sua submissão.
Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
Siam pronti alla morte
L’Italia chiamò, sì!
Coorte se refere às unidades militares das legiões romanas.
Esses quatro versos indicam que, quando a Itália chamar, os italianos devem se unir às suas unidades (stringiamci a coorte) e defendê-la com suas vidas (siam pronti alla morte).
Esperança pela unificação do país
Noi fummo da secoli
Calpesti, derisi
Perché non siam popoli
Perché siam divisi
Aqui há uma clara referência ao período anterior à unificação da Itália. O autor diz que durante séculos (da secoli) os italianos foram pisoteados (noi fummo calpesti) e ridicularizados (noi fummo derisi) porque não eram um povo (non siam popoli), mas estavam divididos (siam divisi).
Raccolgaci un’unica bandiera
Una speme
Di fonderci insieme
Già l’ora suonò
Dando continuidade ao raciocínio dos versos anteriores, aqui há uma esperança (representada pela palavra literária speme) na unificação da Itália (que uma única bandeira nos una). Os dois últimos versos reforçam esse desejo: Já é hora (già l’ora suonò) de nos fundirmos em um (di fonderci insieme).
Uniamoci, amiamoci
L’unione e l’amore
Rivelano ai popoli
Le vie del Signore
Aqui há uma exortação ao povo italiano: unamo-nos e amemo-nos porque a união e o amor revelam aos povos os caminhos do Senhor (Deus).
Giuriamo far libero
Il suolo natio
Ainda no sentido da unificação da Itália, os italianos juram liberar o solo nativo.
Uniti per Dio
Chi vincer ci può?
Aqui há duas possíveis interpretações da expressão “per Dio“: uma exclamação equivalente a “pelo amor de Deus” ou uma indicação de que quem uniu os italianos foi Deus.
- Pelo amor de Deus! Se estivermos unidos, quem pode nos vencer?
- Fomos unidos por Deus. Quem pode nos vencer?
Referências históricas
Dall’Alpi a Sicilia
Dovunque è Legnano
Legnano é a cidade onde, em 1176, a Liga Lombarda (uma aliança da Itália setentrional) venceu o imperador Frederico Barbarossa do Sacro Império Romano-Germânico.
Esses versos simbolizam que, de norte a sul (dos Alpes à Sicília), todos os lugares da Itália (dovunque) lutarão contra o domínio estrangeiro.
Ogn’uomo di Ferruccio
Ha il core e la mano
Ferruccio é uma referência ao capitão Francesco Ferrucci, que defendeu a cidade de Florença durante a invasão do imperador Carlos V.
Novamente é uma alusão à defesa do território nacional contra a invasão estrangeira, quando diz que cada homem (ogn’uomo) tem o coração (core) e a mão (mano) de Ferruccio.
I bimbi d’Italia
Si chiaman Balilla
Balilla é o apelido de um garoto que teria iniciado a revolta popular de Gênova contra a coalizão austríaca-piemontese em 1746.
Da mesma forma que nos versos anteriores os homens são comparados a Ferruccio, nestes versos as crianças são associadas a Balilla.
Il suon d’ogni squilla
I Vespri suonò
Vespri são os sicilianos que se insurgiram contra os franceses de Carlo d’Angiò em 1282.
Squilla, em italiano, se refere a algo que emite um som: il telefono squilla (o telefone toca). No caso do episódio de 1282, é uma alusão aos sinos que tocaram em Palermo em 30 de março de 1282 chamando o povo para a luta.
Son giunchi che piegano
Le spade vendute
Già l’Aquila d’Austria
Le penne ha perdute
Estes versos retratam o declínio do Império Austríaco quando diz que a Águia da Áustria (l’Aquila d’Austria) perdeu as penas (le penne ha perdute).
O termo espadas vendidas (spade vendute) se refere às tropas mercenárias que seriam fracas a ponto de se dobrarem como canas (giunchi che piegano).
Il sangue d’Italia
Il sangue Polacco
Bevé col cosacco
Ma il cor le bruciò
Ainda se referindo ao Império Austríaco que oprimiu a Itália, estes versos simbolizam sua aliança com a Rússia (cosacco). Ambos os países teriam bebido o sangue dos povos italiano e polonês, e seus corações teriam sido envenenados por causa disso (ma il cor le bruciò).
Letra completa
Fratelli d’Italia
L’Italia s’è desta,
Dell’elmo di Scipio
S’è cinta la testa.
Dov’è la Vittoria?
Le porga la chioma,
Che schiava di Roma
Iddio la creò.
Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L’Italia chiamò.
Noi siamo da secoli
Calpesti, derisi,
Perché non siam popolo,
Perché siam divisi.
Raccolgaci un’unica
Bandiera, una speme:
Di fonderci insieme
Già l’ora suonò.
Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L’Italia chiamò, sì!
Uniamoci, amiamoci,
L’unione, e l’amore
Rivelano ai popoli
Le vie del Signore;
Giuriamo far libero
Il suolo natio:
Uniti per Dio
Chi vincer ci può?
Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L’Italia chiamò, sì!
Dall’Alpi a Sicilia
Dovunque è Legnano,
Ogn’uom di Ferruccio
Ha il core, ha la mano,
I bimbi d’Italia
Si chiaman Balilla,
Il suon d’ogni squilla
I Vespri suonò.
Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L’Italia chiamò, sì!
Son giunchi che piegano
Le spade vendute:
Già l’Aquila d’Austria
Le penne ha perdute.
Il sangue d’Italia,
Il sangue Polacco,
Bevé, col cosacco,
Ma il cor le bruciò.
Stringiamci a coorte
Siam pronti alla morte
L’Italia chiamò, sì!
Conclusão
O hino nacional da Itália, conhecido como “Il Canto degli Italiani” ou popularmente como “Fratelli d’Italia”, é muito mais do que uma simples melodia patriótica — ele é um símbolo profundo da identidade, da história e da união do povo italiano.
Portanto, conhecê-lo e compreendê-lo é importantíssimo se você tem algum vínculo com a Itália, seja familiar ou simplesmente afetivo.
